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Afinal, quem é o Brasil digital? Por Jonatas Abbott

Posted by: In: Email Marketing, Marketing Digital 16 abr 2014 Comentários: 0

A realidade do mercado brasileiro está mais próxima do comércio popular da rua 25 de Março do que do Vale do Silício

POR JONATAS ABBOTT
Presidente da Associação Brasileira dos Agentes Digitais (ABRADi)

Dimensões continentais, colonização que contou com a participação de povos de diferentes cantos do planeta, mais de 200 milhões de habitantes e uma classe C dominante. O Brasil é um país único. É dono de um mercado único formado por mais de 12 milhões de empresas.

Trabalho há 18 anos com internet comercial no Brasil e, nos últimos 15 anos, viajei de norte a sul do País visitando empresas de tecnologia. Mais recentemente, como diretor de integração nacional da Associação Brasileira dos Agentes Digitais (ABRADi) e também como seu presidente, pude visitar cada uma das 13 unidades da entidade, regiões que representam o digital brasileiro. Estive na Paraíba, Rio Grande do Norte, Bahia, Pernambuco, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Goiás e Distrito Federal.

Especificamente nos últimos dois anos, assisti a um boom no número de associados na ABRADi, o que foi consequência de uma explosão na quantidade de empresas fornecedoras de soluções digitais no Brasil. O último Censo Digital da ABRADI apontou mais de 3 mil agências digitais no País. Mais de 80% dos nossos 700 associados são agências pequenas, que por sua vez atendem a pequenas e médias empresas.

Pequenos grandes negócios
Paradoxalmente, no entanto, vivemos de estudar os grandes cases brasileiros e mundiais. Olhamos para as grandes empresas atendidas pelas grandes agências. Veneramos também as grandes empresas americanas de internet. Mais do que isso, replicamos nas redes sociais cada novidade e cada aquisição dos gigantes. É duvidoso, porém, que elas possam ensinar algo de novo para quem quer ter sucesso com internet no Brasil.

Falamos e olhamos pouco para o que de fato representa o mercado brasileiro. Nossa internet explodiu nos últimos anos graças à classe C, que tem mais de 90 milhões de brasileiros e que chega a representar mais de 80% do consumo no varejo brasileiro. É essa classe C – que pulou o telefone fixo e foi direto para o celular, assim como não experimentou o computador e adotou o smartphone – a responsável pela incrível evolução da cultura de internet nas pequenas e médias empresas brasileiras. As companhias são sempre pressionadas pelo consumidor. As demandas dos clientes regem o crescimento e evolução das empresas fornecedoras.

Segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação, dos quase 13 milhões de empresas existentes no Brasil, 85% são de micro e pequeno portes. E apenas 2% são de grande porte e 13% de médio porte. Ou seja, 98% das empresas brasileiras são de micro, pequeno e médio portes. E estão espalhadas por um País continental e rodoviário no qual a comunicação a distância é fundamental.

Classe C e PME’s
E aqui chegamos talvez a um desenho mais claro do mercado brasileiro digital que temos na mão. Trata-se de um mercado de classe C e de PME’s. Os dois são contumazes consumidores de tecnologia. Eles fomentam um setor brasileiro digital que cresce sem parar para atender uma demanda altamente fragmentada, especialmente nas capitas e no interior dos estados do sudeste e do sul. Só para dar uma dimensão, existem no País mais de quatro mil provedores de internet, um exemplo da pulverização do setor.

Mas não estudamos esse segmento. Não assistimos a nenhum evento com cases de micro e pequenas empresas e menos ainda notamos players de tecnologia que desenvolveram soluções para grande escala. Falta-nos uma identidade nacional. No digital busca-se ser cool, como uma empresa nova-iorquina. Inovadores como as empresas californianas. Queremos ter uma elegância britânica e por vezes acabamos com uma certa afetação francesa. O resultado é um ego do tamanho de um publicitário bem-sucedido da década de 1970.

Pelo menos paramos um pouco de atacar a televisão e as agências de propaganda. Isso talvez tenha ocorrido por amadurecimento, talvez pelas aquisições a granel das grandes agências digitais brasileiras por, vejam só, grandes grupos da propaganda mundial.

Talvez seja o momento do digital brasileiro encontrar a sua vocação e seu desafio. Sua cara. Algo me diz que ela não tem muito a ver com o Vale do Silício. Tampouco tem feições britânicas e sotaque francês. O desafio é continental. O verdadeiro pote de ouro do mercado brasileiro é popular e, geograficamente, se aproxima da 25 de março. Ele está na batida dos ritmos baianos, sertanejos e muito samba. O Brasil não é cool, é hot. É classe C, é PME, pulverizado. É um mercado de ticket médio baixo e de escala alta. Fala português e paga a prazo.

O Brasil Digital é, definitivamente, brasileiro.

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